Quem casa, quer casa. Esse dito popular é geralmente falado em tom de brincadeira, mas carrega um significado importante: a casa normalmente é onde se forma o lar, é onde se constrói a relação e onde se estabelecem os vínculos e a segurança da família.
Por esses motivos é uma preocupação de todos os que estão se casando e de muitos que já são casados a escolha do local onde viverão os seus próximos anos, e por ser um pensamento de longo prazo que normalmente envolve um alto investimento, muitos se perdem na hora da escolha e acabam tomando decisões equivocadas, transformando o que era um sonho em pesadelo.
Também não é atoa: aluguel, financiamento, consórcio, tabela SAC, Price, construir, comprar pronto… são muitos fatores que precisam ser vistos, não é mesmo?
Quem está iniciando uma vida conjugal costuma errar ainda mais, porque normalmente estão cheios de expectativas e isso muitas vezes os levam a agir de forma impulsiva. Muitos já se separaram e ainda estão pagando a festa do casamento e tentando desfazer do financiamento do imóvel.
Tendo atendido centenas de casais, eu compilei aqui as respostas para as principais perguntas relacionadas ao tema, para te ajudar a identificar se você está no caminho certo quando o assunto é o seu dinheiro e a sua casa.
O que é mais importante para vocês?
É quase unanimidade entre os chamados gurus das finanças de que alugar o imóvel é melhor do que comprar, porém geralmente eles dão uma explicação rasa (só leva em consideração os aspectos financeiros) e genérica (como se fosse assim para todo mundo e em qualquer lugar).
Em meu trabalho ajudando casais a realizarem os sonhos por meio da educação financeira, eu gosto de deixar claro que o dinheiro só faz sentido se for conectado à vida, ou seja, antes de pensar nas questões financeiras relacionadas à escolha do local para viver com a família, devemos responder a esta pergunta: o que é mais importante para nós?
Isso é de vital importância, de modo que se ter liberdade geográfica é mais relevante do que ter raízes, o casal tenderá a alugar um imóvel. Em outro exemplo, se a segurança é mais importante do que o espaço, tenderá a procurar um apartamento.
Portanto, listar os fatores que pesam nessa escolha, além do dinheiro, vai trazer muita clareza em relação à direção que essa decisão vai tomar.
É preciso que a realização do sonho seja possível sem comprometer a qualidade de vida da família, no entanto, não é só o dinheiro que deve ser levado em conta.
Não significa que um imóvel próprio, por exemplo, não seja um passivo, ou seja, algo que tira dinheiro do seu bolso. Significa que pensar só no dinheiro provavelmente não vai te fazer ter mais qualidade de vida. Afinal, o dinheiro que te serve ou você serve o dinheiro?
Qual é o objetivo?
Muitos casais já começam errando aqui. Sem saber o que querem, compram o que não querem, muitas vezes assumindo um compromisso além da conta.
Por isso é importante responder a perguntas como: O que vocês querem? Quando pensam na casa nova, o que vem à mente? Qual é o preço desse sonho?
O primeiro ponto da definição de um objetivo é sonhar. Pegue aquilo que vocês imaginam como sendo o ideal e escrevam. Isso é fundamental, porque mesmo que o ideal não seja o que vai ser feito agora, poderá ser construído ao longo do tempo.
Depois do sonho, faça uma pesquisa sobre possíveis escolhas e escreva o preço, local e as características do imóvel. Objetivo precisa ser específico.
Quais são as suas condições atuais?
Uma vez que você sabe o que é mais importante e qual é o sonho, é hora de ter clareza sobre a situação financeira atual do casal. Qual é a renda? Quais são as despesas? Qual é a nossa capacidade de pagamento atual? O que podemos assumir de forma tranquila e segura?
Responder a essas perguntas vai ajudar muito na assertividade ao tomar a decisão. O ideal é colocar os números no papel (ou em uma planilha), para que fique bem clara a situação e para reduzir as chances de ser enganado pela mente.
Para isso você pode baixar a minha planilha gratuita de finanças para casais que acompanha uma aula exclusiva. Clique aqui.
Esse é o exercício de por os pés no chão e de entender o que é possível fazer neste momento.
Alugar
Do ponto de vista financeiro, o aluguel é a melhor opção na maioria dos casos. Enquanto eu escrevo esse artigo, a taxa média de aluguel é 0,4% do valor do imóvel, ou seja, se a pessoa tem o dinheiro para comprar ou alugar, deixando o dinheiro investido ela consegue pagar o aluguel e sobra dinheiro.
Você pode fazer as contas no seu caso, pegando o imóvel pretendido e dividindo o valor do aluguel pelo preço do imóvel.
Por exemplo: um imóvel de R$ 350 mil com um aluguel de R$ 1500, representa um aluguel de (1500 / R$ 350000) * 100 = 0,42%.
No entanto, existem outros fatores financeiros e diversos que devem ser levados em conta ao alugar um imóvel.
Em relação às finanças, você deve colocar na conta do aluguel uma reserva mensal de 10% do valor do aluguel para despesas extras e para a reforma do imóvel quando você for deixá-lo. Além disso, pesquise sobre o seguro incêndio que costuma ser obrigatório e os impostos que geralmente são transferidos para você no contrato. Nesse caso não há preocupações adicionais com problemas estruturais no imóvel.
Outros fatores devem ser levados em conta ao alugar imóvel:
- em um imóvel alugado você não tem a liberdade de criar o seu espaço, de derrubar paredes ou de modificar muita coisa no imóvel;
- o contrato tem prazo definido e embora você possa renová-lo, não há tanta segurança em relação ao tempo que você vai permanecer no imóvel;
- o reajuste do aluguel costuma ser pelo IGPM, um dos índices mais voláteis que pode ser de 10%, mas que já chegou em 30% em um ano (não é comum).
- negociar com imobiliárias e pedir licença para fazer alterações não são as tarefas mais agradáveis que existem.
Construir ou Comprar pronto?
Do ponto de vista do sonho, construir parece ser a melhor opção, porque te permite economizar no custo final da obra e fazer a casa do seu jeito. Por outro lado, a construção leva tempo e se não for bem planejada, os custos podem ser mais elevados do que o orçamento inicial, o que pode colocar as suas finanças em risco.
A dica ao construir é prever um aumento nos gastos tanto na obra quanto na manutenção do imóvel depois de pronto. Eu atendi um casal que conseguiu construir a casa dos sonhos, porém, depois de pronta, o imóvel representava uma despesa de R$ 13 mil por mês. Eles não viam essa despesa, só viam que o dinheiro não sobrava.
No caso da construção é preciso ainda levar em conta as despesas para morar até que a obra termine.
Hoje já existe a possibilidade de financiar a compra do terreno junto com a construção.
A facilidade para comprar um imóvel pronto é maior e a principal vantagem desse tipo de negócio é o tempo de negociação, além de você também não ter muitas despesas concorrentes, ou seja, não precisa de muito tempo pagando aluguel enquanto o imóvel fica pronto.
Ao comprar um imóvel pronto, pense na possibilidade do crescimento da família e nos custos envolvidos em morar no novo local.
Financiar
O financiamento é a principal opção utilizada pelos brasileiros para a compra do imóvel, principalmente do primeiro imóvel.
A principal desvantagem do financiamento é o fato de você assumir um compromisso de longo prazo, até 35 anos, e com isso o custo do imóvel chega a ser 3 vezes o valor da compra (levando em consideração os efeitos da inflação, isso pode ser reduzido).
Existem duas formas principais de pagamento do financiamento imobiliário: tabela SAC, em que a amortização é constante, ou a tabela PRICE, conhecida por ter parcelas fixas. Na maioria dos casos a tabela SAC é mais vantajosa, porque começa amortizando um valor maior da dívida no início e isso impacta nos juros totais do financiamento.
Você pode baixar uma planilha gratuita para simular o financiamento pelas duas formas e ver qual é a melhor opção para você. A planilha acompanha uma aula exclusiva: https://www.casalprospero.com.br/planilha-de-financiamento-imobiliario
Consórcio Imobiliário
O consórcio é uma alternativa para quem quer comprar o imóvel de forma programada ou para quem tem uma reserva para contemplação por lance.
Mas não adianta se iludir: o consórcio é vendido como uma forma de comprar bens “sem juros”, porém tem taxa de administração, o que em minha opinião é juros com apelido. É evidente que a taxa de administração do consórcio costuma ser bem mais barata ao longo do tempo do que a taxa do financiamento, no entanto é preciso ficar atento às entrelinhas dos contratos.
Enquanto no financiamento você pode amortizar a dívida a qualquer momento e se beneficiar disso, economizando juros, no consórcio se você amortiza ou antecipa parcelas você continua pagando a taxa de administração total, o que pode tornar o negócio ruim.
Por exemplo: se a taxa de administração do consórcio é de 20%, ela seria R$ 20 mil em uma carta de crédito de R$ 100 mil. Se você antecipa, você continua pagando o total da taxa de administração.
Outro ponto de atenção no consórcio é que ao pegar o crédito você vai passar por análise de crédito, então precisa ficar atento para que o crédito não seja negado. É comum a pessoa ser autorizada a comprar um consórcio, mas na hora de pegar o crédito o banco não aceita entregar. Consulte as regras do produto antes de comprar.
Há ainda no consórcio uma maior morosidade no processo de liberação do crédito. Isso pode não ser regra para 100% dos casos e não está escrito em nenhum lugar. Eu mesmo vi isso depois de atender centenas de pessoas.
O consórcio ainda tem atualização no valor das parcelas, normalmente pelo INCC – índice nacional da construção civil. Você precisa prever que haverá um aumento enquanto você paga, porque isso pode te colocar em uma situação financeira difícil.
Como fazer a melhor escolha
Agora você já tem muitas informações relevantes para escolher. O segredo consiste em entender a sua situação e baseado nela fazer a escolha mais sensata para você. É importante frisar que não há escolha 100% certa ou sempre melhor. Toda decisão envolve algum tipo de renúncia e algum tipo de risco.
Validando a decisão
Feita todas essas análises racionais, uma das formas de medir o quanto você se sente seguro em relação à sua decisão é você se colocar mentalmente lá em sua casa nova, percebendo assim como você se sente diante da nova morada e dos compromissos assumidos para conquistá-la.
Para ilustrar eu trago um caso real de um casal que atendi e que moravam de aluguel, mas estavam planejando comprar um imóvel de R$ 1 milhão de reais, totalmente financiado e com o crédito já aprovado. Estavam emocionados, prestes a fazer o negócio, mas decidiram pensar um pouco mais e me pediram ajuda para decidir. Fizemos alguns exercícios e percebemos que financeiramente não era viável para a capacidade deles de fazer renda naquele momento, ou seja, teriam que abrir mão de coisas muito importantes como as viagens.
Além disso, quando se colocaram nessa situação morando na casa nova, por mais que a casa fosse um sonho, sentiram uma pressão, como se morar na casa naquele momento trouxesse mais estresse do que tranquilidade. Resultado: decidiram se capacitar e procurar formas de aumentar os ganhos, para que pudessem realizar o negócio com mais tranquilidade.
A compra da casa nova é um sonho para muita gente, mas a compra por impulso muitas vezes transforma esse sonho em dor de cabeça.
Conclusão
Seja qual for a decisão de vocês, que sejam felizes. Percebam que o espaço onde vão morar é muito importante, mas não é o que define o sucesso da relação. Eu já atendi clientes que se separaram depois de construir uma casa avaliada em R$ 5 milhões.
No fim das contas, é a decisão de permanecer juntos o que vai definir o sucesso dessa união, e todo o resto vem com essa decisão.
Espero que as reflexões que eu trouxe aqui tenham te ajudado a ter mais clareza em relação a qual é o melhor negócio para você. Se ainda assim tiver dificuldade, talvez seja hora de ter ajuda profissional para planejar as suas finanças e a sua vida. Fale comigo que eu posso te ajudar nisso.